21 outubro 2010

Palavras

Esta noite não quero estar só, por isso recorro á minha escrita.
Dela tiro algum alento e mesmo sabendo que não obterei respostas,
para estes momentos de interiorização, não imaginam como me faz tão bem.
Aqui sou eu e simplesmente eu,
sem máscaras ou fingimentos.
Porque muitas vezes riu por fora, mas por dentro choro desalmadamente.
Gosto de me rir quando estou com outras pessoas e como isso me faz esquecer os meus males,
tentando abstrair-me do que me preocupa e que por vezes me rouba também o sono.
Talvez me vejam como um muro, imponente e indestrutível,
mas como se enganam,
os meus alicerces são fracos e fáceis de sucumbir.
Bastava um olhar verdadeiro e profundo nos meus olhos,
para conseguir ver o quanto o meu coração chora.
Tantas vezes orei a Deus, chorei e implorei....
Pedindo que me indicasse uma solução,
amparando-me na minha luta interior.
Mas Deus nada podia fazer,
resignei-me á minha insignificância e habituei-me a falar comigo mesma.

19 outubro 2010

Porto de abrigo

Tal qual uma âncora estou presa a vós,
como um navio atracado num porto de abrigo.
Que me protege em terra firme,
evitando que as tempestades me arrastem ou destruam.
Deveria ser eu o comandante deste navio fazendo-o enfrentar o alto mar,
mas por vezes necessito descansar, baixar as velas e repousar.
E é então junto ao meu bom porto,
que encontro águas tranquilas, serenas e puras.
Um porto..............
Que para o qual não necessito de farol para me guiar.
Pois por mais distante ou perdida eu ande,
por mais arrombos o meu navio sofra com as marés enfurecidas,
acabo por me encontrar à deriva junto dele.
Aí nesse momento.................
Estendo a minha laçada forte, e prendo-me a vós.
Com a esperança de um novo amanhecer!!

15 outubro 2010

O estender de uma mão

Espero pelo impossível, como se pudesse mudar alguma coisa, vagueio em lugares incertos para mim difíceis de os distinguir.
Como um órfão que agarra a primeira mão que se estande, assim também sou um pouco eu.
Sou ausente de mim mesma e solidária comigo própria, estendo a mão a quem na pede sem olhar a tabus ou preconceitos.
Mas no entanto tenho receio de quem a mim me dá.
Por vezes nem nos damos conta de como um estendar a mão pode ser tão significante.
Quantas vezes queremos segurar nas nossas mãos, pessoas ou sentimentos, de forma a conseguir proteger, para que nada os possam magoar. Com é árdua esta simples tarefa, muitas vezes ingrata....
No entanto todos nós a desejamos!

07 outubro 2010

Alucinação

Alucinação acho que é a melhor expressão para descrever o que sinto,
cheia de certezas que existem dúvidas e dúvidas nas próprias certezas.
Busco sem saber bem o quê?!
Mas sinto que me falta algo, apesar de achar que nada me falta, um vazio que tem necessidade de ser preenchido, que no entanto o preencho mas não o sacio.
Misturo a razão com a emoção, mas que seria da emoção sem a razão e a razão  sem emoção?
Trilho caminhos nem sempre os mais certos ou até mesmo os mais curtos.
Mas passo a passo, tropeço atrás de tropeço,
Sigo andando, desenfreada pela dor e desespero,
Com a esperança de um dia encontrar o que procuro.




05 outubro 2010

Emoções

Há coisas na vida que nunca mudam, de uma certeza única e invulgar.
Assim como os rios, que por mais distantes e remotos,
seguem caminhos que nem sempre são fáceis acabando por encontram o mar.
Onde depositam e misturam as suas essências mais puras, como na troca de um primeiro beijo.
Deixando-se levar com as correntes e forças das mares, num vai e vem contínuo, simples e por vezes revoltoso.
Como dois amantes que tudo e nada têm a perder,
tudo o que importa é a necessidade  latente de se tocarem.
Por vezes deixamo-nos ser arrastados por emoções que pouco ou nada nos dizem,
 mas que no entanto, assim como o rio seguimos sem conseguir parar.
Que importa ter emoções se não conseguimos obter o melhor delas, de que server dizer eu sinto, se não exister a cumplicidade.
Tudo seria mais fácil se não construíssemos barreiras e fossemos simplesmente o que somos e nada mais.